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Consumo de leite na infância: Leite Materno e Fórmulas Infantis

Olá mulheres maravilhosas! Espero que todas estejam bem.






Sabemos que a alimentação da criança, desde o nascimento, tem repercussões ao longo de toda a sua vida. Os nossos hábitos e comportamentos alimentares começam a ser formados e moldados na infância e, desde então, os processos de educação alimentar devem construídos para garantir um crescimento e desenvolvimento saudável ao longo da vida.


O leite é o nosso primeiro alimento e eu tenho certeza que vocês já ouviram muito que leite materno deve ser oferecido como fonte alimentar exclusiva até os 6 meses de idade e como complementar até 2 anos ou mais, de acordo com as orientações os órgãos de saúde, que com ele o bebê obtém toda a energia e os nutrientes necessários para que seu crescimento seja saudável e de proteção contra doenças infecciosas. Além das vantagens nutricionais, que a amamentação promove o desenvolvimento sensor e cognitivo da criança e o fortalece o vínculo mãe e bebê. Bem, isso é fato!


Acontece que nem todo o processo de amamentação é tranquilo e muitas mães não são aconselhadas aconselhados adequadamente sobre a prática do aleitamento e sobre o manejo em situações de impossibilidade da amamentação. Muitas mulheres sentem dores, tem problemas com o bico, não conseguem dar a pega adequada ao bebê, acham que o leite é “fraco”, sentem-se cansadas por não terem rede de apoio... Enfim, muitos são os problemas que podem dificultar a amamentação. Além disso, muitas mães e bebês podem encontrar-se em situações as quais o aleitamento materno não é possível.


Vamos entender como é o processo decida do leite e assim descobrir onde podem surgir dificuldades e como ter uma mamada satisfatória para o bebê?


Logo após o parto, de 1º ao 5º dia, o que sai do seio é o colostro. Trata-se de um líquido amarelado ou até mesmo transparente, rico em substâncias que irão favorecer a imunidade do bebê e em proteínas. Essa apojadura (descida do primeiro leite), pode ocorrer em até 7 dias e nesse período é comum sentir a mama mais dura, quente e doloridas e em geral passa. Depois, entre o 6º e 15º dia após o parto, temos o chamado leite de transição. Esse leite tem, além da composição que tem o colostro, lactose e gordura, pois o objetivo desse leite durante esse período é atuar no crescimento do bebê. Após o 15º dia, o leite maduro começa a ser produzido e é o leite que terá todos os nutrientes para o desenvolvimento completo do bebê e se adapta à demanda nutricional dele.  Entretanto, em cada mamada, esse leite vai apresentar uma composição diferente: o primeiro leite que sai é o leite anterior, mais rico em água e proteínas e já no final da mamada é que sai o leite posterior, mais rico em gordura. Esse leite posterior é o leite responsável pela saciedade e ganho de peso do bebê.


Portanto, muitas vezes quando falamos que o bebê quer mamar toda hora, não se sente saciado, precisamos nos atentar sobre essa questão do leite anterior e posterior: se o bebê não estiver mamando tempo suficiente ou houver troca do seio no meio da mamada, o bebê pode sentir fome mais brevemente (devido a composição do leite) e também ganhar peso de forma inadequada porque está mamando errado e não porque o leite é fraco. Além disso, sempre recomendamos que o bebê mame em livre demanda – e embora muitas pessoas digam que isso pode nos deixar “escravas” de nossos filhos - que é guiada pela saciação e saciedade do próprio bebê, o que já ajuda a evitar muitos problemas futuros com a regulação da ingestão alimentar. O que precisamos saber é que um bebê em seus primeiros meses mama muito, podendo chegar de 8 a 12 vezes ao dia. Quando temos esses entendimentos, conseguimos entender melhor um bebê e como é o seu processo de fome e saciedade, entender que ele tem um estômago muito pequeno e precisa de mais frequência alimentar, mas no tempo dele. Então, na maioria dos casos não é necessário completar com fórmulas.


Agora, quando o aleitamento não é possível?


Há condições permanentes e temporárias que contraindicam a amamentação. No primeiro caso, quando as mães são usuárias de droga, mães que vivem com HIV, mães com ebola ou HTLV (vírus da mesma família do HIV), quando o bebê nasce com intolerância a lactose congênita ou galactosemia (que é a falta da enzima que digere a galactose – outro açúcar do leite). As condições temporárias podem ser uso de algum medicamento, doenças virais ou agudas.


Nesses casos, as alternativas se encontram no banco de leite humano (onde é possível retirar leite de outras mães que doam) ou fórmulas lácteas. Saibam que os bebês cujas mães vivem com HIV têm direto à fórmula láctea distribuída gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).  Para casos em que a criança foi diagnosticada com galactosemia, o leite humano ou leite de vaca não são recomendados, devendo ser feita alimentação com fórmulas à base de soja ou outro derivado vegetal.


E as crianças com alergia ou intolerância ao leite de vaca? Primeiro, é importante diferenciar o que é alergia de intolerância, pois são dois quadros diferentes e como tal irão requerer manejo nutricional diferente também. Na alergia, o componente causador do quadro é a proteína do leite de vaca. Assim, a denominação correta é alergia a proteína do leite de vaca ou APLV. A alergia também pode ocorrer com outros tipos de leite (cabra, búfala e ovelha). É o tipo de alergia mais comum em crianças até 3 anos de idade, embora possa acontecer em qualquer faixa etária. O que acontece em um quadro de alergia é que há uma resposta exagerada do organismo ao alérgeno (proteína do leite) que produzem sintomas e sinais que podem ser muito graves e que podem ocorrer de imediato na ingestão ou algumas horas depois. Dentre os sinais e sintomas acontecem mais rápido podemos citar a inchaço na boca, dificuldade para engolir, náuseas e vômitos, dor abdominal, coceira, tosse e dificuldade para respirar e em casos mais graves pode chegar a anafixalia. Às vezes, podem aparecer reações tardias  como refluxo, diarreia, sangue e/ou muco nas fezes, constipação intestinal, coceira e vermelhidão no corpo, dermatite atópica.


Nos quadros de intolerância o que ocorre é uma deficiência na enzima que digere a lactose ou galactose, que são os açúcares presentes no leite. Essa condição pode ser inata, ou seja, a pessoa pode nascer com ela, ou a pessoa pode ter uma redução dessa enzima ao longo da vida. Na verdade, é muito natural que com o passar dos anos nós tenhamos uma redução da lactase no nosso organismo, mas geralmente não é a ponto de nos tornarmos intolerantes ao leite, porém, em algumas pessoas ela pode baixar em níveis que dificulta a digestão da lactose. Por isso, muito se fala que quando adulto não precisamos tomar leite, o que não é uma verdade absoluta. Apenas para algumas pessoas, esse alimento passa a não ser tão bem tolerado devido a esse fator. Em contrapartida, tem pessoas que podem tomar leite a vida toda sem sentir nenhum desconforto. No caso da intolerância à lactose, os principais sintomas são dores abdominais e diarreia.


O tratamento da intolerância e da alergia é diferente: no caso da intolerância, o uso de leite com baixa lactose ou cápsulas com enzimas que fazem essa digestão na maioria das vezes já resolvem o caso.  Já nos casos de alergia, é necessária a exclusão total do leite e a substituição por outros tipos de bebidas (leites vegetais), sendo necessário avaliar a composição nutricional para que essa seja completa ou mesmo a dieta seja readequada para que nenhum nutriente seja deixado em déficit, principalmente em casos de bebês.

Geralmente, para bebês e crianças até dois anos, são indicados fórmulas infantis especializadas e próprias para crianças que tem APLV, e que são nutricionalmente adequadas. O maior cuidado está quando essa criança começa a ter contato com alimentos fora do ambiente de casa, como escola, casa de parentes e amigos, festinhas, e outros, onde os pais e e cuidadores precisam ter uma atenção especial para que ninguém ofereça alimentos que contenham leite para a criança, pois a menor quantidade que seja pode desencadear uma crise alérgica grave.


Outro cuidado que deve ser tomado é o de sempre ler o rótulo. Ainda que seja um produto que você esteja acostumado a comprar sempre, pode ser que o fabricante tenha mudado a composição de uma hora para outra. Dessa forma, todas as vezes que for fazer compras, ainda que seja o mesmo produto, a leitura do rótulo deve ser feita e com cautela. Procurar não apenas pela palavra leite, mas por ingredientes derivados do leite tais como: Lactoalbumina, lactoglobulina, fosfato de lactoalbumina, lactato, lactoferrina, lactulose, lactulona, caseína, caseína hidrolisada, caseinato de cálcio, caseinato de potássio, caseinato de amônia, caseinato de magnésio, caseinato de sódio (ou estabilizantes com caseinato de sódio), chantilly , creme de leite, leite (integral, semi-desnatado, desnatado, em pó, condensado, evaporado, sem lactose, maltado, desidratado, fermentado, etc.), leitelho, nata, nougat, soro de leite, gordura de leite, coalhada, proteína láctea, proteína de leite hidrolisada, whey protein (proteína do soro de leite, em inglês), fermento lácteo, gordura de manteiga, óleo de manteiga, éster de manteiga, composto lácteo, mistura láctea e/ou lactose.


Mas a partir de quando eu posso dar leite de vaca para o meu filho, caso ele não tenha contraindicação?


A nova diretriz de alimentação complementar da OMS, publicada em 2023, preconiza que apresentar derivados do leite à crianças que não possuem APLV desde o início da introdução alimentar, aproveita a janela imunológica que inclusive previne o surgimento de alergia alimentar.


No caso de desejar substituir o leite de vaca por leites vegetais, há opções como leite de soja que é o mais comum, mas também outros como leite de arroz, leite de aveia, leite de castanhas, leite de amêndoas, leite de coco e vários outros. O mais importante é avaliar a composição nutricional, pois a maioria deles não contém o principal nutriente do leite, que é o cálcio. A adição de cálcio pela indústria deixa esses leites enriquecidos, porém, muitas pessoas preferem fazê-los de forma caseira. Assim, deve-se atentar a consumir outras fontes de cálcio na alimentação para manter um equilíbrio na dieta. Além disso, é preciso saber se a criança também não tem alguma alergia que possa contraindicar os leites vegetais.


Por isso, é importante sempre ter a indicação do pediatra e/ou nutricionista para avaliar qual leite/fórmula será o mais indicado para cada caso. Além disso, o acompanhamento nutricional, de doulas e consultoras de amamentação auxiliam em uma nutrição adequada para mãe e bebê, para garantir o melhor no que concerne ao desenvolvimento infantil.





Sempre procure o nutricionista para auxiliar com a sua alimentação, principalmente se estiver grávida ou se for mudar algo na alimentação de seu filho.




 Até o próximo post!


Dra. Danielle Fava

Nutricionista - CRN 26112

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