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Em busca da coragem para realizar nossa transformação pessoal



Símbolo Adinkra: OKODEE MMOWERE (As garras da águia)

Símbolo da força, da coragem e do poder, baseado na natureza e no comportamento da águia


Finalizando o mês de maio, dedicado as mães, voltamos a dialogar com nossas mães negras na tentativa de humanizar e recuperar  o legado das lutas das mulheristas africanas que contraria a crença em um conceito padrão de sociedade ocidental, patriarcal imposto que cria uma expectativa de que todas as mulheres se comportem exatamente igual e coloca nossas mães negras como desacreditadas e até rotuladas como “estranhas” ou “loucas”, simplesmente por viverem seu tempo, com sua maneira particular de ver o mundo,. 

Este padrão oriundo do contexto da colonização, baseado na universalidade, tende a eliminar as diferenças, nos ensinado a vivenciar nossa autodestruição e inferioridade através de um projeto que requer mulheres solitárias, inimigas, com corpos tristes, subservientes, disciplinados para o trabalho, que tenta nos impedir de experimentar nossa passagem de vida na terra, em suas mais diversas manifestações e expressões de forma plena e saudável.

Bem diferente dessa concepção ocidental, a visão de mundo africana, diz que somos sementes plurais das que vieram antes de nós e celebra nossas potencialidades e ciclicidades, fortalecendo práticas de autoamor e autorrespeito onde nossa identidade não é idêntica à de ninguém e cada organismo tem seu tempo e suas necessidades. Contribuindo assim para o equilíbrio que alimenta a coragem de viver sendo quem viemos ser. 

Mas coragem e determinação requer olhar com responsabilidade sob o que foi feito de nossas histórias, e ainda que possa parecer difícil, quando você faz esse movimento, começa a perceber que não está só e que no caminho existem outras mulheres com situações semelhantes às suas. Alice Walker, em um trecho do seu texto “Em busca dos jardins de nossas mães” no faz refletir: Como foi mantida viva a criatividade da mulher negra, ano após ano e século após século, quando na maior parte do tempo em que os negros estiveram na América, era um crime passível de punição um negro ler ou escrever? E a liberdade para pintar, esculpir, para expandir suas mentes com ações não existia. Considere, se é que você consegue imaginar, o que podia ter sido o resultado se cantar também fosse proibido por lei. Escute as vozes de Bessie Smith, Billie Holliday, Nina Simone, Roberta Flack e Aretha Franklin, entre outras, e imagine essas vozes amordaçadas por todas suas vidas. Talvez então você comece a compreender as vidas de nossas "loucas", "Santas" mães e avós. A agonia da vida de mulheres que poderiam ter sido Poetas, Novelistas, Ensaístas, Escritoras de Contos (por um período de séculos), que morreram com seus dons verdadeiros abafados dentro de si.”

Ainda que tentem nos tornar invisíveis, silenciadas, apagadas, nos desconectando das artistas e mães que somos é preciso chamar a energia da coragem que resgata a nossa pluralidade de ser quem somos e não se render a uma única definição do que querem e esperam de nós. Descanse, pare se necessário e pense quantos passos pequenos são necessários para dar um grande passo? Mas se você vive no automático, sem sensibilidade, você começa a viver como uma máquina e inicia o processo de se esquecer quem você é. 

Assim quando surge os problemas difíceis é preciso traçar outras narrativas sobre nós para além do que a colonização trouxe para nossas mães, avós, tias e redescobrir a história que muitas vezes suas ancestrais resistiram, retomando o provérbio africano que diz: “Quando não se lembra para onde vai, não se deve esquecer de onde vem”. O passado não resolvido não passa, ele vai até o futuro, assim é preciso lembrar da bravura de nossas raízes em seu ponto de partida para seguir libertando nossa criatividade, se abrindo para as possibilidades e as surpresas que trazem cor à vida.  Celebrando as conquistas e coragem de persistir, resistir e chegar até aqui! Não há uma alternativa, horas em coletivo, horas no individual somente assim podemos reconstruir aquilo que foi despedaçado de nossas histórias com nossas próprias mãos. Não te demores! Tem gente que se inspira em você, tem gente que torce de verdade por você!

Este texto é dedicado para todas às primeiras mães africanas do planeta que podiam curar e para que possa servir de inspiração para que nós, mulheres, possamos ir em busca da verdadeira história que tem também na coragem e bravura medicamento positivo para nossa família e comunidade. 

E nossa conversa não termina aqui, ainda temos muito o que descobrir! Que tal continuar essa reflexão interagindo a partir de um vídeo e uma música que vou compartilhar com vocês no fórum de nossa comunidade? Ficou curiosa, vamos juntas! Acesse lá e participe!


Referências: 

WALKER, Alice. Em busca dos jardins de nossas mães, 1972. Traduzido por Letícia Cobra Lima, online, www.leticiacobralima.com.


DOVE, Nah. Mães AFrikanas portadoras da cultura, agentes da mudança social. Ed. Ananse, 2023.


SENAPKON, Fabrice F. Kapoholo. Os provérbios africanos: um encontro com a sabedoria ancestral africana. Guia 2.0, online perfil @axovieducacao.

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