Entre a maternidade e a não-binariedade: parentalidades dissidentes e a invenção colonial das figuras parentais
- Tsu Matias

- 28 de jun.
- 12 min de leitura

Entre gestar e não se reconhecer como mulher, entre cuidar e não se identificar como pai, existe um território ainda pouco explorado pela pesquisa e produção científica. As experiências de pessoas não binárias que exercem funções parentais tensionam certezas enraizadas sobre gênero, parentesco e cuidado, revelando que papéis sociais como "mãe" e "pai" talvez sejam menos “naturais” do que imaginamos e mais próximas de construções sociais, históricas, culturais e políticas.
Durante muito tempo, a família tradicional e ocidental, uma representação social de pai+mãe+filhos, foi organizada a partir de uma lógica binária e cisheteronorma que associou maternidade às mulheres e paternidade aos homens, papéis vistos como indissociáveis e justificados pelo modelo biomédico, biologia e explicações genitais. No entanto, as transformações contemporâneas e estudos das relações de gênero e das configurações familiares expõem os limites dessas categorias para compreender a pluralidade das experiências humanas e das formas de construir e oferecer cuidado e de se relacionar.
Partindo das contribuições dos estudos de gênero, das parentalidades dissidentes e das perspectivas afro-diaspóricas sobre comunidade, rede e cuidado, este ensaio propõe refletir sobre como as experiências de pessoas não binárias desestabilizam a invenção colonial das figuras parentais de modelos tradicionais e abrem espaço para outras formas do parentesco, da filiação e da responsabilidade coletiva do cuidado. Mais do que perguntar quem ocupa o papel e função de mãe ou pai, talvez seja necessário perguntar quem cuida, quem sustenta, quem garante pertencimento e quem participa da continuidade da vida.
Colonialidade e a produção de papéis: gênero, raça e normatividades
Ao estudar a sociedade iorubá, Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí em “ A invenção das mulheres” (2021) mostra que nem todas as sociedades organizaram a vida a partir das categorias de homem e mulher como fazemos hoje. Entre os iorubás, outros aspectos, como a senioridade, os vínculos e as posições construídas nas relações, tinham muito mais importância para definir responsabilidades, autoridade e pertencimento do que o gênero. A autora também argumenta que a colonização europeia não trouxe apenas novas formas de governo e economia, mas também uma nova maneira de olhar para os corpos. Houve uma organização da vida social e relacional, acompanhada de hierarquias e desigualdades entre os gêneros. A colonialidade segue organizando as existências como se existissem papéis fixos, naturais e inquestionáveis. Gênero, raça e parentesco não aparecem como invenções históricas, mas como verdades prontas produzidas pelo ocidente.
No mês do orgulho LGBTQIAPN+, as parentalidades dissidentes — especialmente quando atravessam a não-binariedade e o gestar — desmantelam essa lógica. Angela Davis já dizia, em outras palavras, que não dá para aceitar o inaceitável, sem questionamento, criticidade e análise interseccional, como se fosse normalidade. E Audre Lorde é ainda mais direta: não se desmonta estruturas coloniais usando as mesmas ferramentas que as criaram, as ferramentas do colonizador. Ou seja, não dá para falar de família, cuidado e parentalidade sem encarar o quanto tudo isso foi moldado para caber em formatos excludentes de vivências dissidentes.
Por isso o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+ não é só celebração, é dar voz a narrativas plurais. Kilomba (2008) nos lembra que o poder da palavra, ser porta voz sempre foi
controlado, atravessa corpos que a colonialidade tenta silenciar. Nesse sentido, falar, nomear e existir fora do roteiro é ato político e revolucionário. E cada parentalidade dissidente que insiste em existir não está “pedindo espaço ou licença pra existir” — está jogando por terra a ideia de que só existe um jeito legítimo de cuidar, amar e formar famílias.
A colonialidade não atua apenas na organização histórica das sociedades, mas na forma como produz e regula os afetos, os corpos e os papéis sociais. Em Não monogamia: trânsitos entre raça, gênero e sexualidade, Medrado e Fernandes (2023) apontam que as formas de amar e se relacionar não são neutras, mas atravessadas internacionalmente por raça, gênero e sexualidade, por exemplo e que definem quem pode desejar, com quem as pessoas podem se vincular e sob quais condições esses vínculos são legitimados, inclusive amparados ou não pelo Estado e pelas leis existentes. Medrado e Fernandes abrem brechas para pensar parentalidades dissidentes como práticas que escapam dessas normatividades rígidas e tradicionais em volta da entidade casal cisheteronormativo e das relações monogâmicas, as quais asseguram estruturas de poder, acúmulo de bens e propriedade e manutenção de papéis e das desigualdades de gênero.
Entre palavras e corpas: quando a linguagem não dá conta de parentalidades
O cuidado não cabe em nomenclaturas. Isso demonstra que existe um ponto em que a linguagem começa a falhar. Ou nos lembra que a linguagem também é fruto de uma construção social, bem como os papéis parentais socialmente impostos produzem sentidos. Especialmente quando tentamos nomear experiências que escapam das categorias estabelecidas de gênero.
“"Mãe" e "pai" parecem palavras simples, quase naturais. Mas, na prática, carregam uma arquitetura inteira de expectativas, papéis, moralidades e modos de vida. Mesmo a Terapia Familiar Sistêmica, abordagem da Psicologia dedicada ao estudo das configurações familiares e das relações de cuidado ainda se apoia predominantemente em experiências cisheteronormativas como referência para compreender a família. O próprio conceito de ciclo vital familiar, por exemplo, continua sendo amplamente estruturado a partir de modelos binários e generalistas de parentalidade.
Em um estudo recente sobre famílias em situação de vulnerabilidade social, Bloise e Valério (2023) evidenciam a persistência da desigualdade de gênero na divisão do trabalho doméstico e do cuidado, com mulheres dedicando aproximadamente 21 horas semanais a essas atividades, enquanto homens dedicam cerca de 11 horas. Ainda que fundamentais para compreender as dinâmicas familiares contemporâneas, análises como essas permanecem ancoradas em categorias como "homem", "mulher", "mãe" e "pai" como se fossem papéis universais, naturalizados e vistos como referência abarcar a complexidade das experiências parentais contemporâneas.
Entre a maternidade e as não-binariedades
Butler, em Problemas de gênero (2018), propõe que o gênero não deve ser compreendido como “natural” ou uma identidade fixa, mas como produzido socialmente e sustentado pela linguagem e pelas normas culturais. A autora destaca que aquilo que entendemos como “masculino” ou “feminino”, vai sendo construído por meio de práticas repetidas no cotidiano, como regras, gestos, modos de vestir, formas de falar e de se relacionar. Ou seja, gênero se constitui de maneira performativa, ou seja, não expressa uma identidade já pronta, mas se realiza justamente nas ações e repetições que são reconhecidas socialmente como coerentes e aceitas.
E quando uma pessoa não binária gesta, amamenta, adota ou cuida de uma criança?
O que acontece quando o corpo que sustenta a vida não se reconhece na categoria que a sociedade insiste em impor, dizendo-lhe mulher, rotulando-lhe feminina?
Porque gênero não é uma consequência inevitável da anatomia das genitálias mas trata-se de uma construção social e cultural que organiza expectativas, afetos, comportamentos e modos de existir (CATELAN & SARDINHA, 2023) e de outras características corporais, como se estas fossem capazes de determinar quem alguém é ou como devem ser.
É a ideia de que determinados corpos devem vestir isto e não aquilo, brincar com certos brinquedos e não outros, gostar de determinadas cores, como se azul pertencesse aos meninos e rosa às meninas, como se gestar e cuidar produzisse automaticamente mulheres e mães.
Pessoas não binárias por exemplo, independentemente do sexo que foi designado a elas ao nascimento macho ou fêmea, fogem do binário homem-mulher/masculino-feminino. Catelan & Sardinha (2023) entendem que as identidades não binárias escapam do modelo homem–mulher e aparecem em muitas formas possíveis de viver o gênero, incluindo experiências fluidas, múltiplas, parciais ou até agênero, sempre foram atravessadas pelo contexto social, histórico, cultural e pela forma como cada pessoa constrói a si mesma.
Existem pessoas não binárias que se reconhecem dentro do espectro trans, entendendo suas vivências como parte de uma ruptura com a lógica de correspondência entre sexo atribuído e identidade de gênero. Ao mesmo tempo, há pessoas não binárias que não se identificam como trans, justamente por compreenderem suas experiências de gênero como algo que não se encaixa plenamente nessas categorias já estabelecidas. Ambas as formas de se nomear são legítimas e dizem respeito ao modo como cada pessoa constrói sentido para sua própria vivência.
Como argumenta Judith Butler em Quem tem medo de gênero (2024), as experiências trans expõem a fragilidade das normas que tentam organizar corpo, identidade e expressão em padrões coerentes e previsíveis. Nesse movimento, o binarismo de gênero aparece como uma construção normativa, e não como uma estrutura fixa da realidade, mostrando seus limites diante da diversidade das formas de existir.
Entre a maternidade e a não-binariedade
Entre a maternidade e a não-binariedade existe um território vivo, atravessado por tensões, disputas e negociações de sentido, onde se sustentam relações de poder que ainda organizam quem pode ou não ser reconhecido como humano, família ou figura parental. Nesse cenário, o que chamamos de maternidade e parentalidade pede uma leitura crítica e não excludente, capaz de abarcar a complexidade das experiências humanas e dos vínculos que se constroem fora dos modelos hegemônicos.
Maternidade, parentalidade, família e gênero como produções sócio-históricas e culturais que se transformam conforme os regimes de verdade de cada época e variam entre povos, etnias e culturas, incluindo organizações sociais de povos indígenas e africanos por exemplo, cujas formas de identidade, cuidado e pertencimento não se estruturam a partir das categorias ocidentais rígidas de gênero, mas de lógicas relacionais mais amplas, comunitárias e cosmológicas. Nesse sentido, o binarismo não dá conta da pluralidade das configurações relacionais existentes, para além da cosmovisão ocidental, funcionando como norma reguladora e colonizadora das relações e do existir. Isso evidencia que gênero, assim como os ideais de família e parentalidade, pode ser compreendido como uma invenção historicamente situada, atravessada pelo projeto colonial ocidental que molda e restringe formas de existência e reconhecimento da pluralidade.
Diante dessa diversidade, não faz sentido partir de referências prontas. O mais importante é sustentar uma postura ética e de abertura, em que quem se depara com uma pessoa, não tenta encaixá-la em categorias fixas, mas se aproxima com curiosidade genuína, perguntando com respeito como aquela pessoa se nomeia, quais pronomes usa e o que cada palavra simboliza sua própria experiência.
Nesse sentido, autoras como Catelan e Sardinha (2023) destacam que as categorias de gênero não devem ser tomadas como verdades fixas. A identidade de gênero pode ser compreendida como uma experiência profundamente subjetiva e relacional de reconhecimento de si, que não se limita àquilo que foi atribuído no nascimento. Trata-se de um processo interno de construção e afirmação, no qual a pessoa se percebe e se nomeia a partir de sua própria vivência de gênero, podendo ou não coincidir com as expectativas sociais associadas ao sexo designado ao nascer.
Já a expressão de gênero diz respeito às formas pelas quais essa vivência interna se torna visível no mundo, por meio de linguagens corporais, estéticas e comportamentais. Roupas, gestos, acessórios e modos de presença não funcionam como tradução direta da identidade ou expressão de gênero, mas como possibilidades de comunicação atravessadas por códigos sociais que foram historicamente marcados como masculinos, femininos ou fora dessas classificações. Como apontam Catelan e Sardinha (2023), há uma tendência social de tentar ler o corpo e suas expressões como evidência do gênero, o que frequentemente produz reduções e equívocos, já que expressão de gênero e identidade de gênero operam em dimensões distintas, ainda que interligadas na experiência vivida.
Ainda é muito comum que pessoas que não convivem com dissidências de gênero, ou que estão atravessadas por uma compreensão normativa do gênero, perguntem quais cirurgias serão feitas — mastectomia, histerectomia, vaginoplastia, faloplastia — como se ser uma pessoa trans ou não binária implicasse, necessariamente, o desejo de modificar o corpo por meio de procedimentos médicos ou hormonais.
Essa associação revela o quanto ainda se espera que as identidades trans e não binárias sejam traduzidas e legitimadas pelo corpo, como se a afirmação do gênero binário dependesse de uma transformação visível e reconhecível pelos parâmetros cisnormativos. No entanto, muitas pessoas não binárias não desejam intervenções cirúrgicas nem hormonais. Algumas encontram formas de expressar e habitar seus gêneros por meio de mudanças na apresentação social, na estética, nas roupas, nos cabelos, nos acessórios, no nome, nos pronomes, na forma de ocupar os espaços e de construir relações com o próprio corpo e com o mundo.
A não binariedade está justamente se opondo ao que é imposto e esperado como única forma possível de existir. Ao recusar a obrigação de caber integralmente nas categorias "homem" ou "mulher", pessoas não binárias também desafiam um sistema que tenta organizar corpos, afetos, roupas, profissões, cuidados e formas de existir a partir de regras sobre o que cada pessoa deveria ser. Muitas vezes, existir como pessoa não binária já é, por si só, um ato de questionamento desse Cistema e das fronteiras que ele construiu em torno do gênero.
Por isso, não é ético dirigir a pessoas trans e não binárias perguntas sobre cirurgias, hormônios ou seus corpo para satisfação de sua curiosidade. Afinal, você faz essas mesmas perguntas para pessoas cis? Pergunta a um homem cis se ele pretende fazer uma faloplastia? Ou a uma mulher cis se pretende realizar uma vaginoplastia, quais hormônios produz ou quais são as características do seu corpo? Se essas perguntas seriam consideradas invasivas e inadequadas quando direcionadas a pessoas cis, também o são quando feitas a pessoas trans e não binárias.
O respeito à identidade de gênero passa, também, pelo respeito aos limites, à privacidade e à autonomia sobre o próprio corpo e sobre aquilo que cada pessoa deseja ou não compartilhar espontaneamente. Nem toda pessoa não binária deseja cirurgias, hormônios ou mudanças corporais. Algumas expressam seu gênero por meio das roupas, do nome, dos pronomes, do cabelo, dos gestos ou simplesmente pela forma como se reconhecem e se apresentam ao mundo, ser e estar um corpo que quebra padrões binários já um fazer politico de re-existência e revolução. Outras não desejam alterar absolutamente nada em sua aparência.
Nenhuma dessas experiências é mais ou menos não binária ou válida do que outra.
Porque se alguém vê uma pessoa de cabelo longo, usando vestido ou saia, e imediatamente supõe “mulher” e usa pronomes femininos, está operando a partir de um roteiro cultural que associa aparência a gênero de forma automática. Mas esse roteiro não dá conta da realidade. Estilo, corpo e expressão não são equivalentes diretos de identidade de gênero. Justamente por isso, o gesto ético sobre uso de pronomes não é adivinhar, é perguntar.
Isso parece simples, mas muda tudo: em vez de "ler" o corpo do outro como se ele fosse um código fechado, a gente reconhece que existe uma pessoa ali e que ela só pode ser realmente conhecida a partir daquilo que diz sobre si mesma. É nesse deslocamento que o cuidado acontece — quando a escuta deixa de confirmar estereótipos e passa a abrir espaço para acolher as singularidades.
Das figuras parentais às redes de cuidado: A aldeia, o quilombo e a invenção de outros futuros
Talvez seja justamente essa mudança de olhar que também nos ajude a pensar as relações de cuidado de outra forma. Por isso, falar em "figuras parentais" amplia a conversa para além da maternidade biológica e da paternidade tradicional, reconhecendo que cuidar, educar e sustentar uma criança pode ser responsabilidade de diferentes pessoas, vínculos e redes afetivas. Afinal, famílias existem de muitos jeitos, e o cuidado sempre foi maior do que as categorias de "mãe" e "pai" ou do gestar, do biológico do parentesco consanguíneo.
Quando a gente tira a entidade casal e consanquinidade do centro e começa a olhar para o afeto como rede, algo muda: o cuidado deixa de ser entendido como responsabilidade isolada e passa a ser vivido como algo que circula entre muitas presenças. Nesse movimento, a não binariedade também ajuda a desorganizar certezas antigas e atuais — aquelas que tentam encaixar o mundo em pares binários fixos como homem/mulher, mãe/pai, certo/errado bom/ruim — e abre espaço para formas mais fluidas de existir, cuidar e se relacionar.
Em muitas tradições africanas e afro-diaspóricas, o cuidado nunca foi pensado como tarefa individual. Há uma sabedoria ancestral que insiste que uma criança não se cria sozinha. Como ensina o provérbio africano amplamente conhecido em diferentes culturas, “é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”. E quando falamos de crianças negras e indígenas em contextos marcados pelo racismo, isso ganha ainda mais força: a vida precisa de uma aldeia, de um quilombo, de uma comunidade, de uma rede, de suporte que sustente não só o corpo, mas também a autoestima, a linguagem, o pertencimento e a dignidade.
Fernandes (2022) ajuda a compreender que essas formas de organização do afeto não são apenas escolhas individuais, mas micropolíticas do cotidiano que desafiam estruturas coloniais de família e pertencimento, de re-existências. Nesse sentido, viver o cuidado como rede — como aldeia, como quilombo simbólico e afetivo — não é só uma alternativa relacional, mas também uma forma de resistência e continuidade da vida negra e indígena, em sua complexidade, pluralidade e potência.
É nesse sentido que a ideia de uma “aldeia-rede simbolizante” ajuda a nomear algo muito profundo:
não basta cuidar materialmente, é preciso também sustentar simbolicamente a existência de alguém.
Como aponta Silva (2026), nenhuma criança se constitui fora de uma rede de palavras, gestos, símbolos e reconhecimentos que a autorizam a existir como sujeito. Ou seja, não é só sobre estar presente, mas sobre sustentar sentido, vínculo e reconhecimento — algo que se constrói sempre em coletivo.
Quando pensamos em figuras parentais nesse horizonte, elas deixam de ser papéis fixos ligados à biologia, a genitálias, a papéis sociais impostos, ou ao gênero e passam a ser posições de cuidado que podem ser ocupadas por muitas pessoas. Em experiências não binárias, dissidentes e comunitárias, o cuidado se distribui: não depende de uma única mãe ou um único pai, mas de uma rede viva que se responsabiliza pela existência da criança. Isso se aproxima muito das práticas de quilombos, aldeias indígenas e comunidades afro-diaspóricas, onde a vida é sustentada por muitas mãos, muitas vozes e muitos afetos.
Psicólogue Tsu Matias (CRP 03/25819) - Psicologia Clínica e Social
Pesquisadore e Ativista LGBTQIAPN+ em Retomada Corpo-Território, Identidade e
Tecnologias e Cosmologias Ancestrais Afroindígenas na Promoção de Saúde Mental de
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REFERÊNCIAS
BLOISE, Gustavo Garcia; VALÉRIO, Nelson Iguimar. Ciclo vital familiar: famílias em situação de vulnerabilidade social. São Paulo: Dialética, 2023.
BUTLER, Judith. Quem tem medo de gênero? São Paulo: Boitempo, 2024.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.
CATELAN, Ramiro Figueiredo; SARDINHA, Aline (org.). Manual de gênero e sexualidade na psicoterapia: fundamentos teóricos e intervenções clínicas. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2023.
FERNANDES, Rhuann. Negritude e não monogamia: as micropolíticas do amor. Rio de Janeiro: Áfricas/FAPERJ; Autografia, 2022.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Tradução de Jess Oliveira. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
LORDE, Audre. As ferramentas do senhor nunca irão desmantelar a casa do senhor. In: LORDE, Audre. Irmã Outsider: ensaios e discursos. Tradução de Stephanie Borges. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.
MEDRADO, Andreone T.; FERNANDES, Rhuann. Não monogamia: trânsitos entre raça, gênero e sexualidade. São Paulo: Editora Telha, 2023.
SILVA, C. M. É preciso uma aldeia-rede simbolizante para sustentar as infâncias: dispositivos clínicos de transmissão de cuidados. 2026. 85 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica) – Programa de Estudos Pós-graduados, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2026.





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