
O Xale da Vovó Nair
por Silvyá D'Nzazi - a netinha
Vovó com suas mãos sábias e firmes teceu um lindo xale branco, macio… parece que tecia a paz, a proteção de Oxalá nas costas.
Esse xale serviu não só como barra vento. É um manto sagrado que somente as griotes, pretas velhas, tem a permissão de usar e conseguem sustentar o peso dele: a missão de guardiã do poder matriarcal de mulheres negras, fortes nas suas fragilidades, resistentes e vulneráveis, determinadas , poderosas no seu lugar de criar ossos, carnês, vísceras enfim gerar uma vida e na sua maturidade sentar no trono e amorosamente proteger e liderar o seu kilombo matriarcal.
Mães, avós que zelam por toda uma comunidade, que defendem suas crias, seus idosos, o direito de amar a situação delas mesmas, de rir e ser feliz, de usar um vestido bonito vermelho, um perfume bom… sem se importar com a idade cronológica.

Vovó Nair apoiou nessa vida muitas mulheres carentes e sedentas de atenção, oferecendo sua escuta afetiva e atenta, sustentando a fome do pão, do corpo e da alma com remédios como um chá de melissa, camomila e hortelã, um bolo de fubá, um bolinho de chuva, e no seu aniversário um bolo olho de sogra, escandalosamente delicioso em uma mesa posta com um jogo de louça finíssima.
Ao ancestralizar se tornou um farol, um pilar onde encontro referência e forças para continuar. Um caminho sedimentado pela oralidade e principalmente pelo exemplo.
Hoje caminho com o xale da vovó Nair nas minhas costas com muito orgulho de nessa vida ser sua netinha.
Tenho certeza que os seus pensamentos e seu olhar de mel me protegem, e seu amor envolve e aquece meu coração 💓.

Um saravá à todas nossas ancestrais e à força do matriarcado, hoje e sempre presentes!
Com carinho: Silvyá D'Nzazi - a netinha!





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