Saúde mental também passa pela forma como lidamos com o dinheiro
- Aline Madeira

- 23 de jan.
- 3 min de leitura
Quando falamos em saúde mental, raramente falamos sobre dinheiro.
Mas, para muitas mulheres, especialmente mães negras e empreendedoras, é justamente a relação com o dinheiro que muitas vezes sustenta um estado constante de ansiedade, culpa e exaustão.
Essa é a perspectiva trazida por Aline Madeira, gestora financeira, coach, pós-graduanda em Educação Financeira e membra em Mães Negras do Brasil, que há anos trabalha com mulheres na organização do CPF e do CNPJ a partir de uma visão sistêmica, emocional e estratégica.
Para Aline, essa compreensão não veio apenas da técnica, mas da própria vivência.
“Foi principalmente a partir do meu próprio endividamento - mesmo sabendo tudo de planilhas, controles financeiros e uma renda satisfatória - e o contato direto com dores parecidas de outras pessoas — que faziam dinheiro sem grandes dificuldades mas estavam sempre endividadas — que algo começou a ficar muito evidente para mim: o sofrimento emocional por trás da desorganização financeira.”
O padrão se repetia: mulheres inteligentes, competentes, com renda, mas presas em um ciclo de ansiedade financeira, sempre correndo atrás, sempre devendo, sempre cansadas.
“Não era falta de capacidade, nem de inteligência financeira. Era ansiedade, culpa, medo, exaustão e uma sensação constante de estar sempre correndo atrás.”
É daí que nasce seu lema:“Não é sobre dinheiro. É também sobre dinheiro.”
Ansiedade financeira é saúde mental em alerta
Aline observa que a desorganização financeira mantém muitas mulheres em estado constante de alerta no sistema nervoso. Mesmo com trabalho, renda e competência, vivem em modo sobrevivência.
“No CPF, vejo muito a culpa por não “dar conta de tudo”, o medo do futuro, a sensação de fracasso pessoal. No CNPJ, aparece o medo de olhar para os números, a confusão entre dinheiro pessoal e do negócio, decisões tomadas no impulso e uma sobrecarga emocional enorme.”
A confusão entre dinheiro pessoal e do negócio, decisões por impulso e a sobrecarga emocional geram impactos diretos: insônia, dificuldade de concentração, autossabotagem e sensação permanente de fracasso.
Para mulheres negras, esse cenário é ainda mais intenso.
“Muitas cresceram aprendendo que precisam ser fortes o tempo todo, sustentar tudo sozinhas e não falhar. O problema é que o corpo e a mente cobram esse preço.”
Quando não existe organização, o dinheiro deixa de ser ferramenta e passa a ser fonte de estresse contínuo.
Dinheiro não é só planilha
Ao integrar planejamento financeiro com práticas sistêmicas, emocionais e comportamentais, Aline percebe uma mudança profunda: as mulheres deixam de se culpar e passam a se responsabilizar com consciência.
“Ao olhar os aspectos emocionais, comportamentais e sistêmicos, entendemos que o dinheiro carrega histórias: de escassez, de sobrevivência, de medo, de exclusão, de não merecimento. Quando isso vem à consciência, a relação com o dinheiro muda.”
A partir da abordagem de Aline podemos começar a perceber que não se trata de misticismo superficial, mas de compreender que corpo, mente e estratégia precisam caminhar juntos.
Organização financeira como prática de autocuidado
Para Aline, o Janeiro Branco pode ser também um convite à organização financeira consciente ao longo do ano. Não como controle rígido, mas como cuidado possível.
“É preciso entendermos que cuidar e se relacionar melhor com o dinheiro, é criar estrutura para que a vida - em todas as outras áreas - fique mais leve.”
Ela sugere passos simples e realistas para iniciar essa mudança:
Começar pequeno, sem perfeccionismo
Separar o dinheiro do CPF e do CNPJ
Criar um orçamento possível
Entender que pedir ajuda é maturidade, não fraqueza
Quando a mulher entende que organizar o dinheiro é cuidar da própria saúde mental, ela sai do modo sobrevivência e começa a construir autonomia e dignidade financeira.
“Não é só sobre dinheiro — é também sobre saúde, história e bem-estar.”
Leve essa conversa para sua comunidade ou organização
Aline Madeira conecta gestão financeira, saúde mental e práticas sistêmicas para apoiar mulheres a reorganizarem sua relação com o dinheiro de forma consciente e sustentável.
Ela está disponível para palestras, rodas de conversa, formações e atendimentos individuais, com foco em saúde mental financeira, organização do CPF e do CNPJ e autonomia econômica e pode ser contratada em nossa plataforma.
Mães Negras do Brasil realiza a curadoria e o agenciamento de especialistas comprometidas com o cuidado integral de mães negras.
Entre em contato e leve essa conversa para outros espaços!






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